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What happened to Monday? – Afinal, estamos próximos de uma superpopulação planetária?

What happened to Monday? – Afinal, estamos próximos de uma superpopulação planetária?

Por André Nunes

Não é de hoje que cientistas, teóricos, mulheres e homens públicos se debruçam sobre um dos grandes dilemas do progresso crescente da humanidade: chegará o dia em que teremos uma superpopulação a ponto de esgotar os recursos do planeta? Se sim, qual o ritmo de crescimento nas nossas taxas de natalidade e longevidade? O que fazer para enfrentar esse desafio?

Como outros filmes de sci-fi e de futuro distópico – dos bem produzidos, felizmente – What happened to Monday? (Onde está Segunda?) estreou em agosto no catálogo da Netflix tendo como pano de fundo a superpopulação e políticas de controle de filhos por casal, aliada a criogenia (congelamento de seres humanos) dos irmãos que nascessem após o primeiro filho.

Dirigido por Tommy Wirkola e escrito por Max Botkin e Kerry Williamson, o longa conta a história de sete irmãs gêmeas (Noomi Rapace, em ótima atuação multifacetada) que “burlam o sistema” e são criadas pelo avô Terrence Settman (Willem Dafoe, sempre ótimo) de forma que possam dividir uma identidade única e viver um dia da semana cada “no mundo exterior”. O plano dá certo por incríveis 30 anos, até que um dia Monday/Segunda desaparece e as seis irmãs (cada uma batizada com um dia da semana) precisam lidar com as consequências e lutar pela sobrevivência de sua família disfuncional.

Completa o elenco a veterana Gleen Close, na pele da líder Nicolette Cayman, criadora do órgão federal que realiza o controle de crianças para evitar a superpopulação do planeta. Aparentemente ativista e bem intencionada, Cayman criou o sistema de criogenia de irmãos caçulas, para que sejam “acordados” num futuro em que a Terra tenha mais recursos para suas vidas. Sem spoilers, mas só por essa sinopse já dá pra ter uma ideia que o sistema não é inofensivo como parece, certo?

Além de ótimas cenas de ação e usos inteligentes de tecnologias futuristas da década de 2070, What happened to Monday? levanta a bola de um debate que traz questões polêmicas: ao mesmo tempo em que nações desenvolvidas enfrentam quedas nas taxas de natalidade, a ponto de terem suas populações reduzidas a médio e longo prazo, outros países continuam com sua fecundidade “em expansão”. Isso sem falar da longevidade cada vez mais estendida, de maneira geral, em todo o globo.

Ora, se haverá países com menos habitantes e outros com mais, parece simples a solução: incentivo às migrações, colaboração entre nações e uma gestão mais assertiva – da ONU, ou de outra organização mundial – dos recursos naturais e alimentares. Fui utópico, né? Claro, já que há milhões de pessoas morrendo de fome todos os dias, sendo que temos recursos suficientes para os 7 bilhões de seres humanos de 2017. Agora imagine com 9 ou 10 bilhões em 2050! Como sempre, o problema tem fundo socioeconômico e não natural ou biológico…

 

 

 

André Nunes, formado em Jornalismo pela UFPR, com passagem pela Université Stendhal, na França. Colaborador da coluna Aroldo Murá, no jornal Indústria & Comércio de Curitiba. Viciado em séries e cinéfilo, escreve sobre cinema nas horas vagas.

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