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Wangari Maathai – África além dos esteriótipos

Wangari Maathai – África além dos esteriótipos

Por Ingrid Camargo*

Fundadora do Green Belt Movement (Movimento Cinturão verde), um dos maiores programas de reflorestamento do mundo, a professora Wangari foi a primeira mulher africana a receber o prêmio Nobel pelo desenvolvimento sustentável, democracia e paz. Ela dedicou sua vida não apenas aos estudos acadêmicos, onde se tornou a primeira mulher a ter PhD na África Central/Leste, mas também a um intenso posicionamento político no Quênia e a favor do continente africano.

Em 2011, Wangari publicou o artigo crítico “Um futuro Africano: além da cultura de dependência”. Apesar do imenso investimento feito pelo G20 em 2009 para países africanos em meio a crise global financeira, Wangari decidiu debater sobre o problema principal de boa parte dos países no continente; a corrupção. A falha de liderança no período pós independência e uma relação de dependência com os países europeus deram surgimento a um cenário crônico de corrupção. Contudo a professora é rápida em desconstruir esteriótipos. A corrupção não é inerente aos países africanos, está espalhada ao redor do mundo.

Para ela a revolução ética que tanto se busca no continente não se daria apenas pelo topo da sociedade africana mas também pelos mais pobres e menos empoderados para acabar de uma vez por todas com a cultura de tolerância com a corrupção. Seu desejo também era de que presidentes e/ou primeiros ministros fizessem uma reflexão sobre os principais problemas de seus respectivos países e dessem um ponta pé inicial na mudança através da honestidade.

Compreendendo que era impossível reverter os erros do passado, a solução era construir um futuro focado na educação principalmente das crianças. Sua proposta consistia que matérias de valores de justiça, honestidade e responsabilidade civil deveriam ser ensinadas no ensino básico, assim como deveriam ser inseridas nas universidades estudos para liderança e aplicação de valores. Desse jeito, os jovens poderiam se tornar líderes e compreender os desejos e necessidades da África. Essa mobilização coletiva teria mais impacto no futuro do que as assistências financeiras doadas por outros países.

Com relação a sua terra natal; o Quênia, Wangari também se posicionou politicamente. Seu Movimento do Cinturão Verde se iniciou em 1977 com o intuito de reflorestar áreas com erosão e garantir que as mulheres que participassem desse projeto recebessem um pequeno pagamento a fim de terem independência financeira logo causou distúrbio político. Sua interferência pessoal em um projeto de arranha-céu em uma das poucas áreas verdes do país não apenas terminou em um confronto nas ruas, onde apanhou da polícia, mas em uma briga política com o presidente. Nos anos 80, por consequência disto, seu projeto foi classificado como subversivo.

Apesar dos distúrbios políticos, Wangari nunca desistiu da luta ambiental e da importância de uma política consciente no continente Africano. Em todos os seus discursos ao redor do mundo, enfatizava a necessidade da união dos povos, a preservação ambiental e que países desenvolvidos realizassem menos interferências econômicas nos países subdesenvolvidos africanos.

Wangari faleceu em 2011 de câncer e deixou um vasto legado de artigos, documentários e livros tanto ambientais quanto políticos, sendo o mais famoso deles o “The Challenge for Africa”( O desafio para a África- tradução livre), onde debate de forma mais profunda os problemas políticos do continente e oferece propostas realistas para a mudança.

 

*Ingrid Camargo é Internacionalista pela UFF. Contato: ingridcamargo70@gmail.com

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