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Sense8 nos ajuda a falar sobre diversidade, conexão e empatia

Sense8 nos ajuda a falar sobre diversidade, conexão e empatia

Por Livino Neto

Na última sexta-feira, 5 de maio, entrou na Netflix a nova temporada de Sense8 e sim, sou do time que adora esta série. Sei que há inúmeras críticas a ela, que vão desde do seu enredo ao desenrolar dos diálogos e o tempo lento de desenvolvimento da narrativa. Cheguei a escutar uma crítica que Sense8 fala de culturas diferentes e entre elas idiomas diversos, mas ainda assim a série é toda em inglês; este argumento ainda compara com Game Of Trones e outras séries, onde foi criado um novo idioma para representar uma determinada cultura.

Ora, sobre este argumento, que é concreto, lembro que estas séries, diferente de Sense8, não estabelecem diálogos entre as culturas diferentes e os seus respectivos idiomas quase que em sua totalidade e que, infelizmente, para que a série possa ser comercial ela precisa ter um idioma que torne compreensível sua narrativa. Já imaginou como seria a série sendo narradas em, sei lá, pelo menos quatro línguas diferentes? Eu particularmente acharia lindo, mas reconheço que seria bem cansativo e reduziria o apelo comercial.  Para reduzir esse distanciamento há passagens onde personagens comentam com aqueles que estão conectados coisas como “não sabia que você falava islandês” dando a entender que o diálogo que se estabeleceu na cena anterior, no sentido da narrativa, não estava sendo travado em inglês.

Sobre as outras críticas, talvez mais profundas do que essa e, em alguma medida, possivelmente mais justas (ou injustas), o que eu posso comentar é que ela parte de percepções e acúmulos que estão atreladas ao arcabouço cultural, social e acadêmico do crítico em questão. Como um produto comercial, da cultura pop, a série parece ser bastante efetiva e com elementos inovadores; a opção de partir de estereótipos para depois tentar desconstrui-los me parece acertada e aproxima o telespectador do personagem; não lembro de qualquer produto em que centro de sua narrativa seja exatamente a ramificação em outas oito narrativas diferentes e por fim a diversidade que é encontrada em cena e não apenas na apresentação de sua trama.

Bom, escrevo este artigo como fã, não como um crítico habilitado para tal. Talvez por isso a opção de iniciar o texto com dois parágrafos defendendo a série, enquanto o centro deste deveria ser “porque eu admiro tanto Sense8 e porque considero a série super-relevante nos dias atuais”.

Compreendo Sense8 como um manifesto em defesa da diversidade, conexão e empatia e é isso que espero encontrar na nova temporada. É bem verdade que se trata de um manifesto progressista e liberal, aqui não se trata de revolução ou ruptura sistêmica, e sinceramente, não esperaria nada além disso de qualquer produção rotulada por uma empresa como a Netflix. Mas ainda assim, não seria suficientemente relevante um produto que traz uma ideia positiva sobre diversidade, conexão e empatia? Eu acho que sim.

Vivemos um tempo onde as redes sociais constituem uma nova arena pública de hiper-interação e pouca conexão entre os indivíduos; é o tempo do “mito” e do “lacrou”, da autoafirmação de suas posições em negação ao um diálogo progressivo capaz de produzir síntese. É o tempo de Trump, Putin, Le Pen e Temer, da negação do presente com a afirmação do velho, da repetição do passado como farsa e da idolatria de quem nega status quo reforçando o ódio e o distanciamento entre as pessoas, enquanto se mantém no topo da pirâmide. É o tempo onde Bolsonaro pontua em pesquisas presidenciais com 15%, a Igreja Universal do Reino de Deus expande seu projeto de poder para o executivo e manifestações nazifascistas são retratadas como manifestações e não como atos de ódio.

É bem verdade que o tempo também é de resistência, de afirmação de identidades, de ocupação das ruas e de gritos antes silenciados. É o tempo onde a luta por igualdade de direitos e rupturas privilégios está na ordem do dia, onde as pessoas são diversas e suas singularidades passa ater cada vez mais relevância. É um tempo onde se ver no outro é um exercício cada vez mais necessário de convivência e de cidadania.

É um tempo presente, que não é como gostaríamos que fosse, mas que abre caminho para novas sensibilidade e percepções; neste tempo Sense8 é um bem-vindo e importante produto da cultura pop, um necessário manifesto em defesa da diversidade, conexão e empatia.

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