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Qual a engrenagem que faz a geringonça funcionar?

Qual a engrenagem que faz a geringonça funcionar?

Em Lisboa, nos dias 21 e 22 de outubro, ocorreu o Plano B, cimeira da esquerda europeia, organizada pelo partido Bloco de Esquerda de Portugal. Com a participação de centenas de pessoas, umas tantas de fora da pátria lusitana, uma questão era evidente: o que é esta tal de geringonça?

Diante da recuperação de direitos sociais e de rendimentos dos trabalhadores, perdidos nas ações de austeridade, iniciadas no governo do PS (Partido Socialista) e aprofundadas  durante os tempos de PSD (Partido Social Democrata), coube a Catarina Martins explicar para os ativistas de outros países o que é essa tal Geringonça (uma composição de governo entre PS, Bloco de Esquerda e PCP – Partido Comunista Português) e como ela está a funcionar.

“Se trata de uma composição pontual a partir de uma conjuntura específica”, explica Martins, detalhando que nas eleições a coligação de centro-direita (encabeçada pelo PSD)  havia obtido mais votos, mas insuficientes para ter maioria do parlamento, fato que permitiu que o PS (partido de centro-esquerda) assumisse o governo em uma composição com a esquerda (Bloco de Esquerda e PCP) a partir de acordos até então ditos como impossíveis  pela União Europeia e pelo PS, trazendo avanços relacionados à seguridade social, recuperação do salário mínimo e espaços de trabalho.

Esta composição pontual, mediada por negociações e acordos políticos, não impede que sejam feitas críticas ao próprio governo; como a permanente complacência do PS com as medidas de austeridade impostas pela União Europeia e a forma com a qual o governo lidou com os incêndios que arderam florestas em Portugal e na Galícia (Espanha), resultando em dezenas de mortos.

É fato que a Geringonça tem chamado a atenção pelo mundo afora, as vezes sendo apontada em um norte comparativo um tanto indevido; não cabe aqui, por exemplo, imaginar este tipo de “composição pontual” sendo reproduzida no Brasil. A possibilidade do PS (que, guardada as devidas diferenças pode ser comparado com o PT) assumir o governo, mesmo sem ter maioria eleitoral, só existiu em função do parlamentarismo português e outro aspecto, ainda mais importante, é que para que este governo pudesse existir, o PS ficou dependendo de estabelecer um acordo de governança com o Bloco de Esquerda ( politicamente mais parecido com o PSOL) e com PCP ( que guarda suas similaridades com o PCB), que em Portugal atingiram nas última eleições legislativa, respectivamente, 10,2% e 8,3% do total de votos, trazendo o governo à esquerda da cartilha da União Europeia, tão respeitada pelos socialistas de centro-esquerda.

Para Catarina Martins é preciso romper com a política de Estado mínimo, não só em Portugal, mas em toda a Europa: “o Estado mínimo falhou, precisamos acabar com este preceito” sentencia a dirigente bloquista. Talvez seja esta determinação da esquerda do governo que seja a principal engrenagem da Geringonça.

 

Publicado originalmente no blog Os Cães Ladram

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