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O que fazer depois do 28 de abril

O que fazer depois do 28 de abril

Por Hamilton Octavio de Souza

Fotografia: Annelize Tozetto / Revista Vírus

A greve geral de 28 de abril foi uma ampla e massiva demonstração de descontentamento com as reformas implementadas pelo atual governo federal.

Há muito tempo que não se via tão expressiva conjugação de forças sindicais, populares e de trabalhadores e estudantes de diferentes filiações políticas.

Mas, será que teve peso suficiente para alterar o rumo das reformas, fazer o governo rever sua posição ou desconstruir o apoio da base governista aos projetos da reforma trabalhista e da Previdência?

A greve e as manifestações por todo o Brasil estremeceram o apoio dos empresários e das entidades patronais aos projetos do governo?

Esses desdobramentos poderão ser checados nos próximos dias, mas, aparentemente, todo o esforço da oposição não foi nenhum xeque-mate no projeto do governo e na aliança dos grupos dominantes.

Independente de qual será a reação da situação, as forças que aderiram ao movimento do dia 28 de abril (paralisação do trabalho e manifestações públicas) precisam avaliar os próximos passos, não apenas de novos atos unitários e de organização social, mas especialmente de propostas para a sociedade.

Se a reforma trabalhista apresentada pelo governo e defendida obviamente pelo capital não serve aos trabalhadores, quais são as propostas que garantam os direitos já conquistados e contemplam novas demandas dos trabalhadores nas relações de trabalho.

Da mesma forma, qual a proposta que o movimento dos trabalhadores quer apresentar para a sociedade sobre o funcionamento e o financiamento da Previdência, as regras das aposentadorias e demais benefícios sociais. Existe alguma proposta minimamente consensual?

Está claro que não basta ser contra, não basta afirmar e reafirmar que a nossa bandeira é “nenhum direito a menos”; é preciso ter proposta para propagandear, fazer o convencimento da sociedade e até mesmo, se for o caso, colocar na mesa para negociar com o governo e o Congresso Nacional.

O nosso acúmulo de forças não pode estar amarrado tão somente na negação do que está aí e do que está sendo oferecido aos trabalhadores; é preciso acumular forças em cima de propostas alternativas e que se contraponham às propostas reacionárias dos defensores do capital.

O nosso acúmulo de forças só fará sentido se for construído não apenas para barrar o que está sendo proposto pelo atual governo, mas fundamentalmente para estruturar uma nova condição trabalhista e previdenciária para as classes trabalhadoras e para a sociedade em geral.

Mais ainda: o acúmulo de forças precisa estar assentado numa visão de futuro, com proposta de organização real de setores da população, com programa mais amplo do que as reformas trabalhista e previdenciária e com muita disposição de luta efetiva na disputa do poder.

A conquista das reformas que queremos depende ao mesmo tempo da conquista do poder, seja pela força legítima do povo nas ruas, pela pressão e atuação direta, seja pelo caminho eleitoral e representativo, pela vitória democrática de um governo realmente comprometido com as reformas que interessam aos trabalhadores.

Tanto na pressão legítima e direta do povo nas ruas quanto pela via eleitoral-representativa, o movimento precisa conquistar e ter a garantia de alguns requisitos, como a liberdade de expressão e de manifestação, a liberdade partidária, o fim do poder econômico nos processos eleitorais e a democratização do sistema de comunicação social.

O grande desafio, agora, para as forças sociais e políticas que fizeram da Greve Geral de 28 de abril um dia histórico, é dotar o movimento de conteúdo programático e organizativo para fazer a grande transformação que o País precisa, exige e sonha realizar.

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Autor

Hamilton Octavio de Souza
Hamilton Octavio de Souza

Hamilton Octavio de Souza é jornalista profissional desde 1972, trabalhou na imprensa corporativa, sindical e popular, foi editor das revistas Sem Terra e Caros Amigos e colunista do jornal Brasil de Fato. Foi professor da PUC-SP por 34 anos, chefe do Departamento de Jornalismo e diretor da Apropuc. Faz parte da equipe de VÍRUS e colabora com o Correio da Cidadania, entre outros veículos.

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