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LUPA CRÍTICA – QUADRO POLÍTICO SE TRANSFORMA

LUPA CRÍTICA – QUADRO POLÍTICO SE TRANSFORMA

Por Hamilton Octavio de Souza

Foto: Página do deputado Flávio Serafini

OPÇÃO PAULISTA

Com 500 representantes de plenárias municipais, o 6º Congresso Estadual do PSOL aprovou por unanimidade, dia 5, o nome da professora e educadora Lisete Arelalo como pré-candidata do partido ao governo do Estado de São Paulo nas eleições de 2018. Conhecida por sua militância pela democracia e contra a ditadura, na defesa dos direitos humanos e da educação pública de qualidade, a ex-diretora da Faculdade de Educação da USP representa uma alternativa respeitável e de alto nível na disputa eleitoral, especialmente para se contrapor aos candidatos conservadores que dominam a política paulista. Enfim, uma candidatura que não tem nada a ver com as bandalheiras de sempre.

OPÇÃO FLUMINENSE

O Congresso Estadual do PSOL do Rio de Janeiro escolheu, por aclamação, dia 5, o professor e vereador Tarcísio Motta como pré-candidato ao governo do Estado do Rio. Em 2014, ele obteve 712 mil votos como candidato a governador e agora terá seu nome confirmado em convenção estadual no primeiro semestre de 2018. Durante o Congresso o pré-candidato afirmou: “O sentido desta nova candidatura não será a busca de votos a qualquer custo, mas sim a disputa da hegemonia e o fortalecimento das lutas e dos movimentos sociais em todo o Estado”. O crescimento do PSOL no Rio nas campanhas de 2012, 2014 e 2016 fortalece a expectativa de bom desempenho em 2018.

INDEPENDÊNCIA

No momento em que usa a propaganda no rádio e na TV para defender “nova independência” para o País, o PCdoB ensaia sua própria “independência” em relação ao PT e lança a deputada estadual Manuela D’Ávila (RS) como pré-candidata à Presidência da República em 2018. Considerado um “puxadinho” servil do lulismo há vários anos, o PCdoB seguiu caminho bem diferente do histórico “Partidão”, o PCB, que se renovou no compromisso combativo e revolucionário, embora ambos tenham origem e fundação comum em 1922. Ao se desgarrar agora da estratégia petista, o PCdoB poderá mostrar sua própria cara e até mesmo novo arco de alianças na disputa eleitoral. Veremos!

AMEAÇA LEGAL

Está causando estresse nos advogados dos políticos processados e condenados por crimes comuns (corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa etc) a entrevista do ministro Luiz Fux, do STF, na Folha (05.11), quando afirma que “não tem sentido que um candidato que já tem denúncia recebida concorra ao cargo” de presidente da República. O ministro lembra que a Constituição prevê o afastamento do presidente quando a denúncia é aceita; se para presidente vale essa regra, por que não deve valer para candidato? Ainda mais se o candidato tiver condenação em primeira instância, mesmo com recurso em tramitação, o fato é que está condenado e sujeito às penas da lei.

JOGO PARTIDÁRIO

Diz o ditado que em política não existe espaço vazio, todo espaço é sempre ocupado. Isso vale para as eleições de 2018. Os partidos mais desgastados com os escândalos de corrupção e pelas besteiras dos últimos governos, entre os quais PMDB e PT, tendem a perder espaço para partidos novos ou fortalecidos na conquista desses espaços. Pela esquerda devem crescer o PSOL e o PDT; pelo centro devem crescer o PSB, Rede e Solidariedade; pela direita devem crescer o DEM, o PRB e o Partido Novo. A surpresa está com Podemos, Avante, Patriota e o que sobrar do PSDB. É provável que o quadro partidário sofra redução de 10 a 15 partidos depois das eleições. Quem sobreviver verá!

TERCEIRA TENTATIVA

Ainda para decidir se lança sua candidatura à Presidência da República, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, da REDE, afirmou, dia 8, que a polarização entre Lula e Bolsonaro restringe o debate sobre o projeto para o País. Marina critica os desvios éticos e políticos dos que se afundaram na corrupção: “Antes a gente tinha essa ideia do rouba, mas faz. Mas agora isso virou uma profusão de nomenclaturas. Tem gente que rouba, mas é amigo. Rouba, mas é de esquerda. Rouba, mas é de direita. Rouba, mas está fazendo as reformas. Isso não pode acontecer”. Marina lembra que na campanha de 2014 só não foi para o 2º turno porque sofreu ataque sórdido do marketing petista.

CARLOS MARIGHELLA

Dia 4 de novembro completou 48 anos do assassinato de Carlos Marighella pela polícia da Ditadura Militar. Até hoje o militante comunista é um mito na esquerda revolucionária. Foi preso várias vezes na Ditadura Vargas, deputado federal cassado pela “democracia” Dutra e expulso do Partido Comunista Brasileiro em 1966 por defender a luta armada contra a Ditadura Militar. Fundou a Ação Libertadora Nacional, que defendia, entre outras coisas, a “eliminação da corrupção”, “eliminação da repressão policial”, “fim do latifúndio”, “confisco das fortunas ilícitas”, “garantia de emprego aos trabalhadores”, “redução dos aluguéis e garantia de casa própria”. Não vale para o Brasil atual?

FRENTE AFRICANA

No último dia 6, o deputado Flavio Serafini (PSOL) lançou, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana. A Frente tem o objetivo de debater questões e demandas dos diferentes povos tradicionais de matriz africana que constituem a população brasileira. Esta frente faz parte de uma rede de diversas outras que estão sendo constituídas em casas legislativas pelo Brasil. O evento reuniu lideranças dos diferentes povos, bem como alguns dos parlamentares que assinam a frente no Rio. Em todo o país, já são cinco frentes em casas legislativas, sendo uma nacional. Uma ação louvável e necessária.

JUSTA HOMENAGEM

No dia 10 de novembro a direção nacional do MST inaugurou, na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema (SP) um espaço de homenagem aos professores da escola, já falecidos, mas que deixaram enorme contribuição de ideias e conhecimentos para os alunos da instituição, na maioria militantes do MST de todo o Brasil. Fazem parte da galeria de homenageados, com fotos de todos, vários intelectuais estrangeiros, como István Mészáros e Miguel Urbano Rodrigues, e também vários brasileiros que merecem ser lembrados para sempre, como Plínio de Arruda Sampaio, Dom Tomás Balduíno, Jacob Gorender e Antonio Cândido. Devemos muito aos que sonharam o mundo melhor!

FALTA DESAPEGO

O que mais impressiona nas elites políticas do Brasil é o seu apego ao poder e à sede de se diferenciar com privilégios da imensa maioria de cidadãos e cidadãs que se empenham no trabalho e vivem modesta e honestamente. Os chefes de clãs e lideres de grupos políticos, mesmo com saúde debilitada, idade decrépita e pegos em flagrante nos mais variados crimes, fazem de tudo para não largar seus postos, usam e abusam do autoritarismo para continuarem no comando, independentemente de projetos coletivos para a sociedade brasileira. A principal reforma do momento é libertar os partidos de seus donos. Como avançar na democracia brasileira se os partidos não são democráticos?

 

CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA…

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Autor

Hamilton Octavio de Souza
Hamilton Octavio de Souza

Hamilton Octavio de Souza é jornalista profissional desde 1972, trabalhou na imprensa corporativa, sindical e popular, foi editor das revistas Sem Terra e Caros Amigos e colunista do jornal Brasil de Fato. Foi professor da PUC-SP por 34 anos, chefe do Departamento de Jornalismo e diretor da Apropuc. Faz parte da equipe de VÍRUS e colabora com o Correio da Cidadania, entre outros veículos.

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