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LUPA CRÍTICA – POVO QUER OPÇÃO AO MENOS PIOR

LUPA CRÍTICA – POVO QUER OPÇÃO AO MENOS PIOR

Por Hamilton Octavio de Souza

Foto: Mulheres, água e energia não são mercadorias! Mística desta quarta-feira (4) durante o 8º Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), no Rio de Janeiro.  Joka Madruga / Terra Sem Males

CENÁRIO PREMATURO

Pesquisa do Datafolha indicou, de um lado, que 54% da população brasileira quer o ex-presidente Lula na cadeia, tendo em vista que já foi condenado por corrupção. Mas entre os atuais possíveis candidatos a presidente da República, nas eleições de 2018, Lula aparece à frente com 35% da preferência, seguido por Bolsonaro, Marina Silva, João Dória, Alckmin, Ciro Gomes, Álvaro Dias. Acontece que o quadro político-eleitoral não está definido nos nomes dos candidatos, nas alianças entre partidos, na articulação das disputas estaduais, no peso do governo federal e também na ação do Judiciário, que pode enquadrar muitos políticos na lei da ficha limpa. Os nomes da esquerda ainda não foram lançados publicamente. Muita coisa vai mudar!

MINI REFORMA

Cantada em prosa e verso desde 1988, a chamada reforma política tem sido sistematicamente sabotada por deputados e senadores que controlam o Congresso Nacional. Não interessa alterar a legislação que garantiu a eles alcançar um mandato, depois outro, eternamente, com todas as mordomias que essa condição lhes proporciona. Esperar algo positivo para o conjunto da sociedade brasileira a partir do atual Legislativo é um sonho irrealizável. Basta ver o que sobrou da atual reforma política, que deveria aperfeiçoar o sistema eleitoral com o voto distrital misto, reduzir gastos com campanhas, acabar com partidos de aluguel e coligações fisiológicas, vetar o troca-troca de partidos etc. O mais importante foi sumariamente abortado!

CONFLITO MAIOR

O suposto conflito institucional entre Senado e Supremo Tribunal Federal é circunstancial, só se sustenta porque o Senado não tem coerência. No caso de Delcídio Amaral, pego em crime de obstrução de Justiça, não só ficou preso com autorização do Senado como teve seu mandato rapidamente cassado pelo próprio Senado. No caso de Aécio Neves, que pediu dinheiro a empresário, indicou o primo Fred para buscar o dinheiro, a Polícia Federal gravou a entrega do dinheiro, o STF não autorizou a prisão, mas somente o afastamento da função parlamentar, e o Senado não abriu processo de cassação na comissão de ética, protegeu Aécio. Existe evidente diferença de tratamento.

UNIÃO MILITANTE

Documento veiculado no Esquerda Online: É tempo de unidade combativa para a produção de outra alternativa tanto ao golpismo como ao lulopetismo conservador e conciliador com os golpistas. Assim, a necessidade de unificação da esquerda socialista é não apenas necessária, mas urgente. É com essa leitura política e com esse sentimento que o Coletivo Nova Práxis, o Coletivo Transição e o Grupo de Ação Socialista (GAS), depois de um rico processo de debate e de construção de lutas coletivas, anunciam o processo de unificação militante como um passo importante para a aglutinação de agrupamentos combativos no campo político das esquerdas socialistas brasileiras”. É isso aí!

DANO PÚBLICO

Especialista no setor energético, o engenheiro Roberto D’Araújo deixa claro, no Correio da Cidadania (02.10.2017) o que significa a venda da Eletrobras: Teremos perda de estratégias tecnológicas num momento de mudança, pois a empresa tem o CEPEL, o único centro de pesquisa brasileiro em eletricidade. Veremos aumento de tarifa e abandono de programas regionais nas usinas. O Brasil vai passar a ser o único exemplo mundial onde, com o tipo de sistema de usinas hidroelétricas integrado que construiu, não terá seu controle nas mãos da sociedade”. Para ele, a destruição financeira da estatal começou com FHC e continuou nos governos Lula e Dilma. Deu nisso!

EXPLORAÇÃO ALEMÃ

Patrocinado pela Fundação Rosa Luxemburgo, foi lançado em São Paulo, dia 7, o livro “Empresas alemãs no Brasil: 7 X 1 na economia”, do jornalista alemão Christian Russau, que trata de vários aspectos das relações entre os dois países, em especial a superexploração do trabalho, violações de direitos, destruição ambiental e os lucros altíssimos das empresas alemãs no Brasil. Um capítulo do livro trata da siderúrgica Thyssen-Krupp, a conhecida CSA, construída em Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro, com processo de produção altamente nocivo ao meio ambiente e à saúde da população naquela região. O livro mostra como os países ricos ganham dinheiro com a espoliação dos pobres.< /o:p>

FÓRUM ALTERNATIVO

No Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens, dia 5, no Rio de Janeiro, mais de três mil participantes fizeram o lançamento público do Fórum Alternativo Mundial da Água, que deverá acontecer no mesmo período do Fórum Mundial da Água, de 17 a 22 de março de 2018, em Brasília. No FMA, as empresas transnacionais apresentarão sua agenda sobre o tema “Compartilhando a água”, geralmente voltado para a apropriação e exploração privadas. Já o Fórum Alternativo (FAMA), que está sendo articulado por ambientalistas e movimentos sociais de inúmeros países, quer debater a água como bem da humanidade, a ser preservado e compartilhado por todos. Um confronto vital!

INVERSÃO TRIBUTÁRIA

Em entrevista para o portal IHU On-Line (06.10.2017), o coordenador de campanhas da Oxfam Brasil, Rafael Georges, faz uma boa análise porque a desigualdade persiste no País. Diz ele: “O que não deu certo na tentativa de reduzir desigualdades foi a política tributária, porque ela é regressiva, concentra renda ao invés de distribuí-la, e cobra mais dos pobres e menos dos mais ricos. No Brasil, quem financia o Estado são a classe média e os mais pobres, que são justamente os maiores interessados em se beneficiar do Estado, mas não há redistribuição. Então, como os mais pobres são os mais penalizados, há aumento das desigualdades”. Por que os últimos governos não inverteram essa situação?

DESAFIO DEMOCRÁTICO

Afirma Rafael Georges que “o sistema político precisa ser repensado não sob a ótica que tem sido colocada hoje, mas sob a ótica de fazer a democracia reconquistar corações e mentes no Brasil e fazer com que as pessoas confiem de novo nas instituições. Esse é um debate fundamental, porque o modo como a corrupção vem aparecendo no noticiário fez as pessoas perderem a confiança de que o Estado e a democracia são instituições capazes de reduzir as desigualdades. Mas essas são as únicas esperanças, porque a experiência histórica mostra que se não tivermos um Estado forte, participativo, transparente, não conseguiremos redistribuir renda e reduzir desigualdades”. O desafio é confiar em quem?

VERGONHA OLÍMPICA

Depois da prisão do principal dirigente do Comitê Olímpico Brasileiro, dia 5, sob a acusação de pagamento de propina para a escolha do Rio de Janeiro como sede olímpica em 2016, enriquecimento ilícito, sonegação fiscal e evasão de divisas (guarda de ouro em bancos suíços), o Comitê Olímpico Internacional suspendeu o COB e aprovou o congelamento de subsídios à entidade por tempo indeterminado. Os atletas brasileiros não têm nada a ver com isso, não devem ser afetados pelas medidas do COI, mas certamente passarão vergonha diante de tamanho escândalo internacional. O que aconteceu reforça a urgência de reciclagem das instituições brasileiras, inclusive as esportivas.

 

CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA…

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Autor

Hamilton Octavio de Souza
Hamilton Octavio de Souza

Hamilton Octavio de Souza é jornalista profissional desde 1972, trabalhou na imprensa corporativa, sindical e popular, foi editor das revistas Sem Terra e Caros Amigos e colunista do jornal Brasil de Fato. Foi professor da PUC-SP por 34 anos, chefe do Departamento de Jornalismo e diretor da Apropuc. Faz parte da equipe de VÍRUS e colabora com o Correio da Cidadania, entre outros veículos.

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