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LUPA CRÍTICA – EXISTE SOLUÇÃO SEM REVOLUÇÃO?

LUPA CRÍTICA – EXISTE SOLUÇÃO SEM REVOLUÇÃO?

Por Hamilton Octavio de Souza

Ilustração: Ribs / Revista Vírus

SEM REPETECO

Depois de 21 anos de Ditadura Militar, depois do caos administrativo e inflação galopante de Sarney, depois do confisco da poupança e da pirotecnia de Collor, depois da liquidação do patrimônio público de FHC, depois do mensalão dos ricos e das migalhas dos pobres de Lula, depois da quebra dos cofres públicos de Dilma, depois da destruição dos direitos sociais de Temer – o povo brasileiro precisa virar o jogo e conquistar um governo que acabe de vez com as desigualdades e as injustiças, que promova educação, saúde e qualidade de vida para todos. É preciso radicalizar a democracia e fazer o confronto com todos aqueles que deixaram o Brasil como está. A solução é pela esquerda!

TAREFA PRIMORDIAL

Em entrevista no IHU On-Line (23.10.2017), o professor Fábio Luís Barbosa dos Santos, da Unifesp, alerta: “A ideia da conciliação de opostos, que foi a ideia do petismo, encarnada na figura do Lula, mostrou no que dá. Na teoria, Florestan Fernandes constatou isso há muito tempo; na prática as experiências históricas latino-americanas e a onda progressista constatam isso de novo: não tem espaço para reforma dentro da ordem. Portanto, se queremos mudar, não vai dar para mudar pelas beiradas, teremos que comprar essa briga porque as classes dominantes brasileiras não toleram qualquer mudança”. Para ele, a esquerda “tem como tarefa primordial recolocar a revolução na pauta política”.

ESQUERDA HOJE – 1

Texto do professor e militante político Valério Arcary, no Esquerda Online (20.10.2017): “Quatro grandes escolhas definem o que significa ser de esquerda. Em primeiro lugar, ser de esquerda é uma escolha moral. Ao ser de esquerda abraçamos uma visão do mundo que considera todas as formas de exploração e opressão indignas. Quem explora ou oprime alguém não pode ser livre. Não é possível a liberdade entre desiguais. Em segundo lugar, ser de esquerda é uma escolha de classe. Ao ser de esquerda abraçamos uma visão do mundo que considera que o movimento dos trabalhadores é a nossa referência de esperança, e suas lutas são as nossas”. Continua…

ESQUERDA HOJE – 2

Em terceiro lugar, ser de esquerda é uma escolha política. Ao ser de esquerda abraçamos um projeto de luta pelo poder. Os trabalhadores devem governar para transformar a sociedade em função da satisfação das necessidades da maioria. Por último, ser de esquerda é uma escolha ideológica. Ao ser de esquerda abraçamos o socialismo como aposta estratégica, ou seja, defendemos uma sociedade em que deveremos ser socialmente iguais, humanamente diferentes, e totalmente livres. Essa opção nos coloca em oposição à propriedade privada, portanto, ao capitalismo. Esse programa não é possível em um só país. Ser de esquerda, portanto, significa ter um compromisso internacionalista com a luta pela igualdade social”.

FRENTE NACIONAL

A Frente Nacional em Defesa das Instituições de Ensino Superior Públicas, lançada dia 19, na UERJ, denuncia o desmonte das universidades e o retrocesso das políticas para as escolas públicas. Participam da iniciativa entidades nacionais dos trabalhadores na educação e dos estudantes (Andes, Fasubra, Sinasefe e Une). No lançamento da Frente, o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Roberto Leher afirmou: “Daqui a quatro ou cinco anos, não haverá mais recursos para custear o SUS, para manter o sistema previdenciário, para manter escolas e universidades públicas e gratuitas se não revertermos com nossas lutas e, nesse caso, só as lutas vão reverter esse quadro”. É isso aí.

TRAIÇÃO POLÊMICA

Na última semana, uma entrevista de Lula para o jornal espanhol “El Mundo” gerou polêmica na imprensa brasileira e nas redes sociais. Tudo porque Lula teria dito que “Dilma traiu o eleitorado”, o que pegou mal no PT. Em seguida Lula pediu correção ao jornal dizendo ter afirmado que “O eleitorado que a elegeu em 2014 se sentiu traído”. Vale lembrar que antes de jogar a culpa na Dilma e no povo pelo desastroso governo Dilma, o “infalível” Lula impôs a candidatura da “gerentona” goela abaixo ao próprio PT, que tinha outros pré-candidatos mais experientes e mais afinados com o partido, entre os quais Tarso Genro e Jacques Wagner. Quem criou a “criatura” foi o próprio Lula.

MEIA VITÓRIA

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, decidiu, dia 24, suspender a portaria do Ministério do Trabalho sobre fiscalização do trabalho escravo no Brasil. Ao atender pedido da REDE, a ministra afirmou: “Ao restringir indevidamente o conceito de ‘redução à condição análoga a escravo’, vulnera princípios basilares da Constituição, sonega proteção adequada e suficiente a direitos fundamentais nela assegurados e promove desalinho em relação a compromissos internacionais de caráter supralegal assumidos pelo Brasil e que moldaram o conteúdo desses direitos“. Só falta o plenário do STF confirmar a suspensão e o Governo Temer anular a desumana e cruel portaria. Top-top-top!

MAIORIA PERDIDA

Comprados ou não pelo Palácio do Planalto, 251 deputados federais rejeitaram, dia 25, o pedido de investigação do presidente Temer por crimes de corrupção e obstrução da Justiça, segundo denúncia da Procuradoria Geral da República. Votaram a favor da investigação 233 parlamentares, desde os integrantes da bancada de oposição de esquerda até os mais truculentos representantes da extrema direita. Várias bancadas da base governista racharam ao meio, inclusive a do PSDB, que deu 23 votos contra Temer e 20 a favor. A polarização ficou na manutenção ou não desse governo até as eleições de 2018 e nos discursos contra a corrupção. Todos cuidam apenas de sua autopreservação!

DEMOCRACIA REAL

Por ignorância ou má fé, seguidores do lulismo se referem à eleição como sendo a mais pura prova da democracia. Omitem que eleições no Brasil sempre foram influenciadas e distorcidas pelo poder econômico e pelo aparato manipulador da propaganda. Para termos uma democracia de verdade é preciso que todos os cidadãos tenham acesso à educação de qualidade e à informação democrática expressa livremente por todas as correntes de pensamento. Antes da eleição e do voto é preciso que os partidos não tenham donos e os candidatos possam representar todos os setores da sociedade. Na democracia de verdade é preciso que os candidatos tenham trajetória de honestidade. É o mínimo.

ESPERANÇA ATIVA

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sempre atenta aos acontecimentos, divulgou nota dia 26 de outubro para alertar contra a grave realidade político-social e os “salvadores da pátria”. Diz a nota: “Apesar de tudo, é preciso vencer a tentação do desânimo. Só uma reação do povo, consciente e organizado, no exercício de sua cidadania, é capaz de purificar a política, banindo de seu meio aqueles que seguem o caminho da corrupção e do desprezo pelo bem comum. Incentivamos a população a ser protagonista das mudanças de que o Brasil precisa, manifestando-se, de forma pacífica, sempre que seus direitos e conquistas forem ameaçados”. Não basta mudar o governo, é preciso mudar o País.

 

CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA…

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Autor

Hamilton Octavio de Souza
Hamilton Octavio de Souza

Hamilton Octavio de Souza é jornalista profissional desde 1972, trabalhou na imprensa corporativa, sindical e popular, foi editor das revistas Sem Terra e Caros Amigos e colunista do jornal Brasil de Fato. Foi professor da PUC-SP por 34 anos, chefe do Departamento de Jornalismo e diretor da Apropuc. Faz parte da equipe de VÍRUS e colabora com o Correio da Cidadania, entre outros veículos.

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