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IR AO COMBATE SEM TEMER; OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER

IR AO COMBATE SEM TEMER; OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER

Por Coffeebreak

Tínhamos uma memória dolorida dum 29 de novembro, de um 28 de abril e de tanta outras batalhas, em que achamos necessário lutar pelo que é justo, pela garantia de coisas óbvias, de lutar pelo que é nosso, de lutar contra o Capital e suas bases estruturadas no Estado.

Hoje, aquelas e aqueles que lutam, deram uma boa dose prática de como caminharmos para uma outra realidade possível. Desde da ocupação massiva da Esplanada, com mais de 100.000 pessoas, uma cena que há muito
não se presenciava nessas terras do cerrado, que vinham com toda intenção de protestar, de fazer valer seu protesto, de tantos cantos do país, de diversas origens, mas como categoria única: de classe trabalhadora. E chegaram, desafiando a geografia excludente do plano, desafiando aqueles que sempre estão contra a mobilização e organização dos trabalhadores. Muitos começaram a ousar. Do Mané Garrincha ao Congresso, marchavam com a certeza que lá estavam e que conseguiriam, de alguma forma, um resultado material depois de toda a mobilização feita.

Mas sabemos que a burocracia sindical, durante anos, muito desviou o alinhamento da teoria com a prática. Às vezes, o brado puxado de cima do caminhão de som não é o reflexo daquilo que se converte em prática. Na realidade, o próprio brado vai se transformar no discurso que é a realidade de algumas organizações. O clamor de reunir mais de 100.000 trabalhadoras e trabalhadores acaba perdendo força com direções que inflamam, mas depois enxergam o ato sem nenhuma perspectiva classista e material. Como entender falas dos tipo: “Não entrem nas provocações dos policiais”, enquanto as “provocações” nada mais eram que balas de borracha, gás lacrimogênio, pedras, munição real? Como entender o uso discurso do pacifismo, enquanto estamos sendo militarmente atacados primeiro? Qual o sentido de se contratar segurança para enfrentar fisicamente manifestantes por divergência política? Como fazer falas que definem uma divisão no ato? Como dizer “ATO ENCERRADO” com todo um ataque em curso?

Ao mesmo passo, a polícia fazia o que sabe fazer, desenvolvia bem sua função de lacaio da ordem do capital. Mesmo os berros que clamavam por uma conscientização não eram escutados por e também não faziam o menor sentido (” Não se trata de um fetiche, quando falamos da polícia. Se fala mesmo é do seu funcionamento original, de um conjunto de ações que pertencem às suas raízes. Não há diálogo, não há direito de manifestação, nem existe acordos com chefes de polícia. O desenrolar de suas ações tem esse recorte, é assim que agem. E isso é um fato histórico, reconhecido por alguns militantes experientes, que “jogam” trabalhadoras e trabalhadores para esse embate, ainda sem total preparo de táticas de enfrentamento.

Mas o dia hoje, ao contrário daqueles que emanamos no início do texto, teve suas particularidades. Embora mais uma vez o ato
tenha sido dispersado pela repressão policial pesada, o conjunto de pessoas que resistiram ao ato foi gigante. Por várias vezes, muitos corriam, mas prontamente voltavam a se reagrupar. Havia mais de um comando de defesas com escudos artesanais. Havia resistência. Muitos começaram a não temer.

É bem verdade que não podemos falar de confronto, quando de um lado a pedras e barricadas construídas com o que tinha por perto, contra escudos, armaduras, armas, cavalaria, helicópteros, drones e todo um aparato (com grana pública) para conter manifestações. Ainda assim, muito
foi feito para que realmente o ato se desfizesse. Mesmo assim, algumas frentes trabalhavam para a contenção do avanço das tropas, enquanto outras partiam para mais ação direta, levantando barricadas e incendiando dois Ministérios. Muitos se colocaram ao combate.

Infelizmente, a diferença brutal de equipamentos pesa contra o nosso lado. Várias e vários camaradas foram atendidos e levados para longe da Esplanada, intoxicados pelo gás; dois foram baleados com armas de fogo e um camarada acabou perdendo a mão. Sem contar daqueles que acabaram caindo pelo caminho.

O dia hoje, não foi de um vitória para se comemorar tanto e nem de uma derrota acachapante. A prática de hoje foi uma enorme sala de aula, para muitos que cá estavam. Que viram com os próprios olhos as contradições e as possibilidades. Há muito que se organizar e que se fortalecer práticas e táticas que contribuam de forma decisiva nas próximas movimentações. Mas o recado está dado, as pessoas estão cientes. E certamente, nos próximos passos, muitas ousarão vencer.

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