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De Raquelina Langa á Guelsa Chivodze- Vozes de Moçambique

De Raquelina Langa á Guelsa Chivodze- Vozes de Moçambique

Por * Ingrid Camargo

 

Talvez você não se lembre do nome Raquelina Langa, mas certamente se lembrará do debate que ocorreu em 2013 sobre a possibilidade de uma mulher ocupar o cargo de secretária geral da ONU. Ná época, enquanto estudante e ativista do direito dos jovens, Raquelina Langa teve a oportunidade de questionar o então secretário geral da ONU Ban ki-moon o que era necessário para uma mulher como ela se tornar secretária geral das nações unidas. A pergunta, embora simples, serviu como um alerta para diversas questões não apenas internas de Moçambique mas para mundo.

A resposta do secretário foi de que após setenta anos, aquele era o momento de se considerar que uma mulher ocupasse o cargo mais alto das nações unidas além de que as jovens mulheres deveriam sonhar grande, de forma ambiciosa e ao mesmo tempo prática. E a partir de então, um grande holofote se abriu para o debate da equidade de gênero dentro da ONU, a educação de meninas e mulheres ao redor do mundo e sobre a participação, especialmente de meninas jovens, na política.

No ano seguinte Raquelina estava em Nova Iorque disposta a liderar o encontro do Dia Mundial da Juventude nas nações unidas. Até seu falecimento em 2016, ela continuou envolvida na luta pelo direito dos jovens e principalmente contra a violência às mulheres e meninas em Moçambique.

Esse ano, durante a visita da diretora executiva da ONU mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka com a presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, constatou-se que seis entre dez moçambicanas são vítimas de maus tratos. Este número alto, aliado aos poucos casos levados a justiça e ao casamento de forçado de meninas, fez com que a ONU mulheres reforça-se e ampliasse seus projetos no país na promoção do empoderamento econômico, inclusão das mulheres em cargos de tomada de decisão e nos processos de negociações de paz e a eliminação de violência contra mulheres e meninas.

Para a campanha de eliminação de violência contra as mulheres, conta-se com a participação masculina. As nações unidas tem incentivado encontros da campanha #heforshe, concursos e participações televisivas. Além do mais, para o empoderamento econômico, parcerias feitas com Instituto de Investigação Agrária de Moçambique e o Governo da Bélgica tem oferecido cursos agrários, direitos de posse de terra, licenciamento de negócios, entre outros, com o intuito de dar autonomia às mulheres.

Embora a conjuntura do cenário atual de Moçambique para as mulheres seja de desafio, outras vozes além de Raquelina tem surgido no país. Guelsa Chivodze, que se casou aos 17 anos e fez parte da estatística de 48% de meninas moçambicanas casadas antes dos 18 anos, passou por situações de violência e foi proibida pelo marido de estudar. Atualmente aos 30 anos, é ativista e advoga pelas meninas permanecerem nos estudos e completarem sua educação. Com relação ao viés político, o país conta com uma participação de 39% de mulheres parlamentares e contará com a ONU para promoção das mulheres nos processos eleitorais. Portanto, vozes como a de Raquelina e Guelsa tem ultrapassado os desafios constantes de Moçambique e vislumbrando um futuro melhor para meninas e mulheres.

* Ingrid Camargo é Internacionalista pela UFF. Contato: ingridcamargo70@gmail.com

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