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Agendas reacionárias de Crivella

Agendas reacionárias de Crivella

Por José Roberto Medeiros (colaborador)

Em seis meses de governo, Crivella impõe agenda reacionária no Rio de Janeiro.

As inserções de Rádio e TV exaltam uma prefeitura que, mesmo com um déficit enorme em caixa, conseguiu tornar mais extensivo o patrulhamento da Guarda Municipal, tocando na ferida da segurança pública e tentando passara ideia de que o Prefeito está trabalhando em prol do povo, mas o que exatamente podemos concluir desses primeiros seis meses de governo Crivella no Rio de Janeiro?

Nesses seis meses já não podemos ter pudor em admitir: os medos de que a agenda conservadora da Igreja Universal do Reino de Deus, da qual Crivella é bispo licenciado, tomasse conta da cidade se tornam realidade. Com seu tom de voz manso e palavras sempre bem articuladas e pensadas, o prefeito vai conseguindo impor aos cariocas uma agenda que os mesmos sempre rejeitaram. E, diante de tamanha crise vivida no plano federal e estadual, isso acaba até mesmo sendo relegado a um segundo plano.

Um primeiro item da agenda reacionária do prefeito ex-bispo foi o ataque aos programas que defendiam as minorias. A agenda LGBT foi completamente ignorada pelo prefeito e as questões de emancipação e proteção das mulheres relegados a um segundo plano quase nulo. O fundamentalismo religioso, machista e homofóbico em sua essência, é o pai desses primeiros ataques que tiveram como verniz uma política de austeridade de uma prefeitura que, sejamos justos, foi entregue à Crivella com dificuldades financeiras.

O segundo ataque foi na cultura: as novas regras para realização de eventos. Crivella, com essa medida, não apenas dificulta que eventos que não se alinham com sua linha eclesiástico-conservadora ocorram, mas também deixa toda política cultural da cidade e toda a produção popular da cultura à mercê da autorização do seu gabinete. Medida similar nunca foi vista. O Rio de Janeiro, cidade do samba, é também uma capital da cultura. Aqui foram realizadas diversas edições da Bienal da UNE, uma centena de shows abertos ao públicos, grandes festivais, exposições. A cidade sempre foi um grande palco ao ar livre e, com essa medida, o futuro da cultura popular no Rio de Janeiro é completamente incerto.

Para coroar seus ataques, Crivella atacou um dos maiores símbolos da cidade: o carnaval do Rio de Janeiro. Sob o hipócrita discurso de investimento em creches, o prefeito anunciou o corte de 50% das verbas das escolas de samba. Escolas, essas, que acreditaram na laicidade do ex-bispo e o apoiaram para prefeito. Ignorando o fato de que esse é um castigo para quem apoiou um fundamentalista por medo de prestar contas, a medida é um duro ataque ao povo carioca não apenas no viés cultural, mas também no viés econômico.

Segundo dados da própria prefeitura, o carnaval carioca movimentou mais de R$ 3 bilhões só no ano passado. São capitais que retornam para ser investidos nas mais diversas áreas. Trata-se de um evento que, além de colocar o Rio de Janeiro no centro do mundo todo mês de fevereiro, lota nossa rede hoteleira, gera mais de 250 mil postos de trabalho e retorna para os cofres públicos das mais diversas formas sendo uma atividade extremamente superavitária e que só perde para o Réveillon em termos de arrecadação.

Os ataques ao carnaval, para além de ser um ataque à tradição e à cultura popular do Rio de Janeiro, é um ataque também ao emprego do povo carioca, um ataque à arrecadação dos cofres públicos e o falacioso discurso das creches apenas mostra o tamanho da demagogia do atual mandatário da cidade. Quisera Crivella realmente investir em creches não podia investir uma parcela robusta do lucro do carnaval para isso? Ou que tal investir 50% dos lucros do carnaval nas mais diversas políticas para as mulheres? Com os lucros, além de creches podemos ter campanhas contra o assédio, casas de acolhimento, uma política efetiva de gênero, mas isso, Crivella não quer. O ex-bispo é apenas mais um político demagogo que usa da maternidade da infância para inflar seu discurso hipócrita e mascarar seus reais interesses.

 

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