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A história se faz nas ruas e a vitória, nas lutas!

A história se faz nas ruas e a vitória, nas lutas!

Agosto 17, a história se faz nas ruas e a vitória, nas lutas!

Por Luciane Soares

Os bravos combatentes que ocuparam mais uma vez a Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro na manhã desta terça-feira, não se intimidaram diante dos carros e armamento da Polícia Militar. Os “sem salário” reúnem aposentados, professores da UERJ, UEZO, UENF, FAETEC, profissionais da saúde, do CECIERJ, CEDERJ, FAPERJ, pensionistas. A cada ato mostramos que para resistir não é preciso uma multidão. E que pela base podemos opor um fogo eficiente ao governo. Após sairmos da reunião com o chefe de gabinete do secretário Gustavo Barbosa, temos algumas certezas fundamentais: Amaury Perlingeiro, chefe de gabinete da SEFAZ (filho de professores e prestes a se aposentar no fim deste ano) afirmou que a decisão sobre quem recebe os salários é do Governo e não da SEFAZ. Fomos recebidos em uma saleta, sem dignidade nem presença de imprensa sindical. Diante de nossa exigência de uma reunião com o secretário, soubemos que este está em Brasília (parece que aparece com pouca freqüência na Secretaria). A verdade é que o secretário não tem agenda (vontade ) de dialogar com o funcionalismo público e prefere esconder-se sob o discurso tecnocrático, já absolutamente desacreditado por suas próprias declarações à imprensa. Mas compreendemos afinal o chefe de gabinete sabia tanto sobre os pagamentos quanto a grande mídia que tem dado informações sobre acordos e a venda da nossa folha. Em determinado momento, Perlingeiro declarou que “o céu deve ficar azul em 60 dias” e “sentiria falta de nossas visitas”. Ironia como as declarações dadas por membros do Judiciário sobre o fato de que ficar sem salários era um “mero aborrecimento”. Ironia e frivolidade diante do desespero e da morte de servidores. Diante de muitas questões a mesma frase “eu não sei”. Quem vai receber? “Eu não sei” repetiu Perlingeiro rebatendo as dúvidas e exibindo um exímio domínio da esgrima tecnocrática, muito praticada no (des)governo Pezão. Ao criticar nosso ato de fechar os portões da Secretaria, declarou que a qualquer momento basta uma ligação e seremos atendidos. Mas o que pode mesmo a SEFAZ? Entre outras coisas, esperar que a tal venda da folha dê certo …

A Assembléia da UERJ, lotada com mais de 300 professores, votou em peso pela permanência em greve e intensificação da mobilização contra o desmonte do funcionalismo público fluminense. Foi um momento de extrema importância porque explicita que a partir de agora estas questões já transcendem o espaço institucional. Todo comércio local tem sido afetado na capital e no interior, trabalhadores terceirizados têm sofrido com a precarização de suas condições de trabalho, estamos ameaçados por um governo que sequer consegue explicar as próprias contas. E os tanques não trazem segurança.

Enfatizo que é a população do Rio de Janeiro que vai erguer os braços agora contra Pezão e seus agentes. E devemos lembrar que a volta de Gustavo Tutuca para a Secretaria de Ciência e Tecnologia é inaceitável. Tutuca assumiu este cargo pela primeira vez em 2013. Entre saídas e retornos, volta em 2017. Formado em análise de sistemas pela Estácio e filho do ex-prefeito de Piraí, Artur H. Gonçalves Ferreira (Tutuca pai), o jovem deputado fez muito pouco pela pasta. Mas devemos lembrar que junto com Paulo Melo, ambos do PMDB, Tutuca abriu uma CPI contra UERJ para apurar “irregularidades na folha de pagamento da Universidade e no pagamento de bolsas e auxílios a servidores”. O que podemos esperar? E o que faremos a partir da espera?

E por isto agosto de 2017 é um mês decisivo. Sabemos que esta crise é seletiva e não iremos aceitar a perda de nossos direitos. Façamos resistência aos que buscam esmagar o serviço público para vender nosso futuro nas bolsas de valores estadunidenses.

Façamos valer nosso direito ao mostrar que esta não será a história de uma derrota e sim a história da luta de todo funcionalismo.

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Autor

Luciane Soares da Silva
Luciane Soares da Silva

Luciane Soares da Silva, gaúcha de Porto Alegre, alvinegra de coração, colorada por tradição. Negra, bisneta de alemães, neta de sambista estivador. Professora associada da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro e presidente da ADUENF. Tem estudado racismo, favela e cultura urbana. Temas de seu interesse e sobre os quais desenvolve pesquisas.

Aos leitores
Pretendo escrever sobre cultura urbana e juventude com atenção especial à temática dos direitos humanos no Brasil.

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